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04jan08

 

Bruce Bueno:  mestre em matemática, trabalha equações e algorítmos para prever o futuro. Comparado a Nostradamus, sua fama chega à Casa Branca.


 

O Nostradamus de Stanford

 

 

É possível prever o futuro através de equações matemáticas?

Um pesquisador da universidade de Stanford diz que sim.

 

 

Aproxima-se um milagre econômico na América Latina.

 

Hugo Chavez não será o novo Fidel Castro: em breve, deixará a presidência da   Venezuela.

 

Essas não são afirmações psicografadas, não apareceram nos búzios nem em bola de   cristal; também não são a mera opinião de um iluminado professor americano.

 

Bruce Bueno de Mesquita – que, apesar do nome, só tem parentes distantes no Brasil – é professor das universidades de Stanford e de Nova York, e faz previsões com base numa série de equações matemáticas desenvolvidas ao longo de 30 anos.

 

Longas matrizes respondem às perguntas feitas pelo cientista. De acordo com a CIA, Bruce Bueno de Mesquita e seu programa de computador acertam 90% das previsões.

 

“Não uso bola de cristal, Deus não fala nos meus ouvidos e minhas previsões podem dar errado. O que faço é ciência, não é algo misterioso. Eu não sou Nostradamus”, diz o professor.

 

A influência daquele que – mesmo sob protestos – é, sim, comparado a Nostradamus se estende ao salão oval da Casa Branca. O que ele diz à secretaria de Estado, Condoleezza Rice – com quem acaba de escrever um livro – costuma ser levado em conta pelo presidente George W. Bush.

 

O matemático, assim como o personagem do filme "Uma Mente Brilhante", baseia-se num conjunto de premissas e equações conhecidas como Teoria dos Jogos. Há mais de 60 anos, os criadores da Teoria concluíram que qualquer fato pode ser traduzido em números, desde que seja feita uma coleta de dados precisa e que todas as informações que podem influir sobre um determinado cenário sejam levadas em conta.

 

Bruce explica que a ciência está em criar valores para fatos, instituições e indivíduos, como fez recentemente com o presidente da Venezuela. “Eu já transformei Chavez em números. Fiz uma análise recentemente que mostra que vai haver um aumento no nível de democracia na Venezuela a partir de 2008”, prevê. Os cálculos do matemático indicam que Hugo Chavez teria apenas duas alternativas: “ou ele entrega o poder candidamente ou foge do país pra escapar da prisão”.

 

As equações matemáticas anunciam também um futuro com menos populismo, mais democracia e menos corrupção nos países da América Latina. Independentemente de partido político, os governos tenderiam a ser cada vez mais democráticos.

 

Se não houver imprevistos e forem confirmadas as previsões do matemático se confirmarem, veríamos, em breve, um milagre econômico na América Latina. “Acho que assim como aconteceu o milagre asiático, vai haver o milagre latino-americano. A América Latina vai ser a região mais dinâmica do mundo nos próximos dez a 20 anos por causa da melhora na administração pública – que melhora tudo: libera as pessoas para fazerem novos empreendimentos, atrai investimentos, e grandes coisas acontecem”, afirma.

 

Será apenas otimismo ou pura matemática?  “É otimismo baseado em matemática, baseado na lógica sobre quais são as conseqüências das escolhas que as pessoas fazem”.

 

Os eleitores do estado de Iowa serão os primeiros a dizer quem gostariam que governasse os Estados Unidos depois de George Bush, mas o futuro já estaria praticamente decidido.

 

Bruce Bueno de Mesquita usou um sistema de computador munido com inúmeras equações e matrizes para tirar pelo menos uma conclusão.

 

“Não sei quem será o escolhido, mas posso dizer que aquele que conseguir a nomeação dos democratas será o próximo presidente dos Estados Unidos”, diz Bruce.

 

Talvez você pense que esse é o discurso de um professor partidário de Hillary Clinton ou Barack Obama, mas ele é filiado a um partido quase desconhecido até pelos americanos.

 

"Eu sou um libertário, sou um lunático, nunca votei em ninguém que tenha se tornado presidente dos Estados Unidos".

 

Ele também não tem o costume de dar palpites sem base científica como mostramos ontem, de acordo com a CIA, as previsões do matemático americano têm um índice de acerto de 90%.

 

Iraque: dificilmente será um país democrático.

 

China: em breve, a taxa de crescimento diminuirá e os chineses não terão o poder militar para se tornar a ameaça que muitos imaginam.

 

Ainda na década de 90, Bruce Bueno de Mesquita previu que o ditador norte-coreano Kim Jong Il construiria uma bomba nuclear com o único objetivo de arrancar dinheiro dos Estados Unidos.

Hoje a previsão do matemático é que só muito mais do que os US$400 milhões que estão sendo oferecidos poderá silenciar a bomba do pequeno Kim.

 

"Para se manter no poder, Kim Jong Il precisa de US$1,2 bilhão para corromper 250 pessoas-chave do governo e manter tudo como está. Se dermos dinheiro para ele sobreviver politicamente, ele não terá motivos pra usar sua bomba”.

 

No começo dos anos 80, antes da morte do aiatolá Khomeini, uma série de previsões acertadas sobre o futuro do Irã. Mesquita previu quem seria o novo líder do país e se antecipou aos fatos ao dizer que, ao seu modo, regime islâmico seria cada vez mais democrático.

 

Agora, uma nova rodada de cálculos e novas previsões. Segundo o matemático, num futuro próximo o Irã não fabricará uma bomba nuclear, não entrará em guerra com o Ocidente e, pelo contrário, deve até se aproximar dos Estados Unidos. Será possível?!

 

"Olhei 15 anos para o futuro e vejo que não, eles não terão a bomba nuclear. Depois disso, não tenho como prever".

 

Sobre os planos nucleares dos aiatolás, Bruce Bueno diz que o mundo ocidental deveria permitir a construção de uma usina atômica com fins pacíficos.

 

"Que eles construam uma planta civil de energia e não passem disso. Eles têm direito de construir isso. Na minha visão, deveríamos explorar o fato de Irã ser signatário do tratado de não-proliferação nuclear e apenas monitorá-los".

 

Longe de qualquer ligação com astrólogos ou cartomantes, o matemático também arrisca previsões improváveis, mas nada de amor, só política.

 

Ele afirma que, dentro de no máximo dois anos, será assinado um tratado para a criação do estado palestino.

"A criação do estado palestino é a melhor forma de forçar os pragmáticos a se separarem dos linha-dura do Hamás". Tanto para o Oriente Médio quanto para qualquer outra região de conflito, até mesmo para enfrentar a violência no Brasil, o professor defende que pequenos passos são o melhor jeito de se vencer a corrida.

 

“As pessoas gostam de soluções de impacto, não pensam em quais são realmente os problemas quando ficam imaginando esquemas grandiosos”.

 

 

 

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