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Bruce Bueno:
mestre em matemática, trabalha equações e algorítmos
para prever o futuro. Comparado a Nostradamus, sua fama
chega à Casa Branca. |
O Nostradamus
de Stanford
É possível prever o futuro através de equações matemáticas?
Um pesquisador da universidade de Stanford diz que sim.
Aproxima-se
um milagre econômico na América Latina.
Hugo Chavez
não será o novo Fidel Castro: em breve, deixará a
presidência da Venezuela.
Essas não são
afirmações psicografadas, não apareceram nos búzios nem em
bola de cristal; também não são a mera opinião de um
iluminado professor americano.
Bruce Bueno
de Mesquita – que, apesar do nome, só tem parentes distantes
no Brasil – é professor das universidades de Stanford e de
Nova York, e faz previsões com base numa série de equações
matemáticas desenvolvidas ao longo de 30 anos.
Longas
matrizes respondem às perguntas feitas pelo cientista. De
acordo com a CIA, Bruce Bueno de Mesquita e seu programa de
computador acertam 90% das previsões.
“Não uso bola
de cristal, Deus não fala nos meus ouvidos e minhas
previsões podem dar errado. O que faço é ciência, não é algo
misterioso. Eu não sou Nostradamus”, diz o professor.
A influência
daquele que – mesmo sob protestos – é, sim, comparado a
Nostradamus se estende ao salão oval da Casa Branca. O que
ele diz à secretaria de Estado, Condoleezza Rice – com quem
acaba de escrever um livro – costuma ser levado em conta
pelo presidente George W. Bush.
O matemático,
assim como o personagem do filme "Uma Mente Brilhante",
baseia-se num conjunto de premissas e equações conhecidas
como
Teoria dos Jogos. Há mais de 60 anos, os criadores da
Teoria concluíram que qualquer fato pode ser traduzido em
números, desde que seja feita uma coleta de dados precisa e
que todas as informações que podem influir sobre um
determinado cenário sejam levadas em conta.
Bruce explica
que a ciência está em criar valores para fatos, instituições
e indivíduos, como fez recentemente com o presidente da
Venezuela. “Eu já transformei Chavez em números. Fiz uma
análise recentemente que mostra que vai haver um aumento no
nível de democracia na Venezuela a partir de 2008”, prevê.
Os cálculos do matemático indicam que Hugo Chavez teria
apenas duas alternativas: “ou ele entrega o poder
candidamente ou foge do país pra escapar da prisão”.
As equações
matemáticas anunciam também um futuro com menos populismo,
mais democracia e menos corrupção nos países da América
Latina. Independentemente de partido político, os governos
tenderiam a ser cada vez mais democráticos.
Se não houver
imprevistos e forem confirmadas as previsões do matemático
se confirmarem, veríamos, em breve, um milagre econômico na
América Latina. “Acho que assim como aconteceu o milagre
asiático, vai haver o milagre latino-americano. A América
Latina vai ser a região mais dinâmica do mundo nos próximos
dez a 20 anos por causa da melhora na administração pública
– que melhora tudo: libera as pessoas para fazerem novos
empreendimentos, atrai investimentos, e grandes coisas
acontecem”, afirma.
Será apenas
otimismo ou pura matemática? “É otimismo baseado em
matemática, baseado na lógica sobre quais são as
conseqüências das escolhas que as pessoas fazem”.
Os eleitores do estado de Iowa serão os primeiros a dizer
quem gostariam que governasse os Estados Unidos depois de
George Bush, mas o futuro já estaria praticamente decidido.
Bruce Bueno
de Mesquita usou um sistema de computador munido com
inúmeras equações e matrizes para tirar pelo menos uma
conclusão.
“Não sei
quem será o escolhido, mas posso dizer que aquele que
conseguir a nomeação dos democratas será o próximo
presidente dos Estados Unidos”, diz Bruce.
Talvez você
pense que esse é o discurso de um professor partidário de
Hillary Clinton ou Barack Obama, mas ele é filiado a um
partido quase desconhecido até pelos americanos.
"Eu sou um
libertário, sou um lunático, nunca votei em ninguém que
tenha se tornado presidente dos Estados Unidos".
Ele também
não tem o costume de dar palpites sem base científica como
mostramos ontem, de acordo com a CIA, as previsões do
matemático americano têm um índice de acerto de 90%.
Iraque:
dificilmente será um país democrático.
China: em
breve, a taxa de crescimento diminuirá e os chineses não
terão o poder militar para se tornar a ameaça que muitos
imaginam.
Ainda na
década de 90, Bruce Bueno de Mesquita previu que o ditador
norte-coreano Kim Jong Il construiria uma bomba nuclear com
o único objetivo de arrancar dinheiro dos Estados Unidos.
Hoje a
previsão do matemático é que só muito mais do que os US$400
milhões que estão sendo oferecidos poderá silenciar a bomba
do pequeno Kim.
"Para se
manter no poder, Kim Jong Il precisa de US$1,2 bilhão para
corromper 250 pessoas-chave do governo e manter tudo como
está. Se dermos dinheiro para ele sobreviver politicamente,
ele não terá motivos pra usar sua bomba”.
No começo
dos anos 80, antes da morte do aiatolá Khomeini, uma série
de previsões acertadas sobre o futuro do Irã. Mesquita
previu quem seria o novo líder do país e se antecipou aos
fatos ao dizer que, ao seu modo, regime islâmico seria cada
vez mais democrático.
Agora, uma
nova rodada de cálculos e novas previsões. Segundo o
matemático, num futuro próximo o Irã não fabricará uma bomba
nuclear, não entrará em guerra com o Ocidente e, pelo
contrário, deve até se aproximar dos Estados Unidos. Será
possível?!
"Olhei 15
anos para o futuro e vejo que não, eles não terão a bomba
nuclear. Depois disso, não tenho como prever".
Sobre os
planos nucleares dos aiatolás, Bruce Bueno diz que o mundo
ocidental deveria permitir a construção de uma usina atômica
com fins pacíficos.
"Que eles
construam uma planta civil de energia e não passem disso.
Eles têm direito de construir isso. Na minha visão,
deveríamos explorar o fato de Irã ser signatário do tratado
de não-proliferação nuclear e apenas monitorá-los".
Longe de
qualquer ligação com astrólogos ou cartomantes, o matemático
também arrisca previsões improváveis, mas nada de amor, só
política.
Ele afirma
que, dentro de no máximo dois anos, será assinado um tratado
para a criação do estado palestino.
"A criação
do estado palestino é a melhor forma de forçar os
pragmáticos a se separarem dos linha-dura do Hamás". Tanto
para o Oriente Médio quanto para qualquer outra região de
conflito, até mesmo para enfrentar a violência no Brasil, o
professor defende que pequenos passos são o melhor jeito de
se vencer a corrida.
“As pessoas
gostam de soluções de impacto, não pensam em quais são
realmente os problemas quando ficam imaginando esquemas
grandiosos”.
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