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Equilíbrio de Nash:
situação
envolvendo dois ou mais
'jogadores, onde nenhum
jogador ganha, mudando
unilateralmente sua estratégia. |
A Teoria dos
Jogos e o Equilíbrio de Nash
Equilíbrio Dominante:
eu faço o melhor, independente do outro.
Equilíbrio de
Nash: eu faço o melhor, em função do outro.
A teoria dos jogos é a
disciplina matemática que aplicada à economia pretende
descrever e prever o comportamento econômico. Muitas
decisões no âmbito econômico dependem das expectativas que
se tenha sobre o comportamento dos demais agentes. Surge
assim, o estudo da teoria dos jogos e comportamento
econômico de Jonh Von Neumann e Oskar Morgenstern (1944).
Os matemáticos sempre acharam os jogos instigantes. Assim
como os jogos de azar levaram a teoria da probabilidade, o
pôquer e o xadrez começaram a interessar os matemáticos na
década de 1920. O matemático John Von Neumann - considerado
por muitos a estrela mais brilhante do firmamento atemático
da Universidade de Princeton - foi o primeiro a fornecer a
descrição matemática completa de um jogo e a provar um
resultado fundamental, o teorema minimax. No entanto as
discussões e palestras dos círculos matemáticos na década de
30 continuavam sendo, basicamente, a exploração dos jogos de
salão como o xadrez e o pôquer. Somente quando Neumann
conheceu seu colega Morgenstern em 1938, o elo com a
economia fora forjado.
O fracasso da teoria econômica em avaliar de maneira
adequada a interdependência entre os agentes econômicos
levou Morgenstern a convencer Von Neumann a escrever um
tratado de mil duzentas páginas afirmando que a teoria dos
jogos era o fundamento correto de toda a teoria econômica.
Como não era matemático - havia estudado filosofia -
Morgenstern não contribuiu para a elaboração da teoria, mas
introduziu e estruturou o assunto que viria a atrair a
atenção da comunidade matemática e econômica. Assim, The
Theory of Games and Behaviour tornou-se um livro
revolucionário
O chamado "Dilema do Prisioneiro" foi apresentado pela
primeira vez na Universidade de Priceton em 1950, como um
exemplo da teoria dos jogos, e consiste do seguinte: a
polícia prende dois indivíduos suspeitos de cometerem um
crime (roubo de carro) e os coloca em duas celas separadas,
sem possibilidade de comunicação entre eles. O detetive
suspeita que um deles cometeu também um segundo crime mais
grave e faz uma proposta. Quem denunciar o outro e der as
pistas para a condenação fica livre, enquanto o outro pega
cinco anos de pena. Se os dois se acusarem mutuamente, os
dois pegam três anos. Se os dois ficarem calados, eles só
serão acusados do primeiro crime, e os dois pegam um ano de
cadeia cada um.
Foram decisões dos indivíduos advindas de situações como
essa que motivaram o desenvolvimento da teoria. As
aplicações da teoria dos jogos cobrem os mais diversos
campos das ciências sociais e econômicas. Von Neumann e
Morgenstern indicaram sua utilidade imediata no estudo do
comportamento econômico. Assim, modelos podem ser
desenvolvidos para o estudo de mercados com várias
comodidades, diferentes números de compradores e vendedores.
A teoria dos jogos é também utilizada para estudos de
distribuição de poder em procedimentos legais. Por sua vez,
sociólogos desenvolveram um ramo dessa teoria inteiramente
voltada para os assuntos ligados à realização de decisões em
grupo.
Estrategistas militares a utilizam para estudar conflitos de
interesses resolvidos através de "batalhas" onde o resultado
ou ganho de um dado jogo de guerra é a vitória ou derrota. A
Marinha norte-americana não somente fazia seu uso - durante
a segunda guerra mundial em operações anti-submarinas - como
financiava pesquisas na Universidade de Priceton.
Sua aplicação para resolução de problemas de cooperação
entre equipes consiste em exemplo de sua aplicação nas
organizações empresariais. Em ambientes competitivos os
lideres de equipes podem adotar diversas estratégias de
atuação. Pode prevalecer o egoísmo e a tentativa de obter o
maior resultado possível à custa de outra equipe, ou um
forte espírito de cooperação entre as equipes que as levem a
maximizar as oportunidades conjuntas, mesmo que isso
represente um valor menor para uma delas. Como se comporta a
natureza humana dos indivíduos e em grupos? Se um líder
adotar um comportamento ético e objetivar o maior ganho
possível para a organização pode optar por "ficar calado"
(no dilema do prisioneiro), onde as duas equipes ganham, mas
todos ganham menos. Ou pode optar pelo grande lance, onde a
sua equipe ganha tudo ou nada.
No "dilema do prisioneiro" um componente importante no jogo,
além das personalidades envolvidas, é a participação da
escolha que será feita pela outra parte. E supostamente, as
duas partes são amigas e companheiras (ou pertencem a uma
mesma empresa), mas na hora que entra no jogo um interesse
individual maior, um deles poderá não se comportar como o
previsto. Como eles não podem se comunicar (e no caso da
empresa, podem existir incentivos organizacionais para não
falarem), eles terão que especular qual será o comportamento
mais previsível da outra parte, e adotar uma estratégia
compatível.
Não obstante, a teoria dos jogos de John Neumann não teria
sua aplicação tão generalizada não fosse a contribuição de
outro famoso matemático de Princeton. John Nash - uma mente
brilhante - que introduziu o conceito de equilíbrio na
teoria dos jogos. Toda a sustentação da teoria está em dois
teoremas: o teorema minimax de Von Neumann, de 1928, e o
teorema do equilíbrio de Nash.
John Nash o gênio matemático que aos 21 anos já havia feito
os primeiros progressos na teoria dos jogos - que lhe rendeu
o Premio Nobel 44 anos mais tarde - percebera que os jogos
de duas pessoas de soma zero, concebidos por Von Neumann em
sua teoria, não tinham praticamente nenhuma importância para
o mundo real. Até mesmo na guerra há, quase sempre, algo a
ser obtido da cooperação. Jogos cooperativos são aqueles em
que os jogadores podem fazer acordos forçados com outros
jogadores. Por outro lado, nos jogos não-cooperativos isso
não é possível.
Dessa forma, é ampliada a teoria para incluir jogos que
envolvem uma mistura de cooperação e competição. Assim, o
equilíbrio estava na situação em que nenhum jogador poderia
melhorar sua posição escolhendo estratégia alternativa
disponível, sem que isso implique que a melhor escolha feita
particularmente por cada pessoa levará a um resultado ótimo.
Nash provou que, para uma determinada categoria muito ampla
de jogos com qualquer número de jogadores, existe pelo menos
um ponto de equilíbrio, desde que sejam permitidas
estratégias mistas.
Assim, Nash generaliza a aplicação da teoria dos jogos para
a economia, à ciência política, à sociologia e, finalmente,
à sociologia evolutiva e transforma o conceito de equilíbrio
de Nash a partir de jogos estratégicos em um dos paradigmas
básicos das ciências sociais e da biologia.
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